Bruno Lemos 
O fotógrafo Bruno Lemos fala direto do Hawai. Seus trabalhos ilustram os principais veículos relacionados ao esporte com fotos alucinantes dos melhores picos do planeta. Nos anos noventa, ganhou uma passagem para o Hawaii, enfrentou diversas dificuldades e hoje tem sua vida estabilizada e tranquila em Haleiwa. Hoje com 39 anos, é casado e tem um filho, frequenta a igreja regularmente e ainda encontra tempo para o surf em V-land. O Mestre abre sua mente nesta entrevista exclusiva e nos conta sua trajetória com muita emoção e bom humor. Bom surfe.
BRUNO LEMOS DIRETO DO HAWAII
por F.BARI
Você começou a surfar com 12 anos, como foi esse encontro com o mar?
Foi na década de 80, na época eu morava no condomínio Nova Ipanema. Tinha uma galera que já surfava e aos poucos todos meus amigos foram adquirindo pranchas de surf. O me tio, Luiz Antonio já surfava e me deu a prancha dele, uma Ara monoquilha shapeada pelo Cláudio Rangel. Minha mãe não me deixava ir à praia sózinho e ela nunca me levava. Então comecei a ir a praia escondido, e claro que mais tarde ela descobriu e acabou liberando. A Barra da Tijuca era vazia, tinha até umas dunas, a lagoa do Marapendi era limpa ainda e sempre tinha uns bons fundos sem crowd.

* RODRIGO RESENDE
Rolava um incentivo da galera?
Quem me influenciou muito na época era a galera mais velha do condomínio, caras como Marcelo e Silvio Behring, Frank Dias, Mauricão Behirng, Deni, Savelha…era uma galera que amava o surf. Também os garotos que começaram a surfar comigo, o Douglas e David Hunter, Lambari, Curupira, Hildon Lopes e Rodrigo Resende entre muitos outros.
Era muito surf na cabeça então?
Eu surfava com as pranchas do carlo Mudinho e Saquarema era o Hawaii pra mim na época, e também Ilha Grande, onde surfei as melhores ondas do Brasil.
Quando foi que teve o click, “Vou ser fotógrafo”? Como foi esse processo até se tornar profissional?
Quando fui para o Hawaii, no início da década de 90, comprei uma filmadora para registrar os momentos. Entre toda a galera que alternava operando a camera, eu era o que conseguia filmar melhor. Depois percebi que tinha gente fazendo grana com uma camera parecida com a minha, só que filmando dentro dágua. Economizei uma grana e fiz uma caixa estanque e com os contatos que já tinha no meio do surf, fui me engedrando e abrindo portas de trabalho em televisão e revistas. Aos poucos fui solidificando o meu nome nessa área.
Você trabalhou na Surfer Magazine no Brazil nos anos 90. Já pensou em produzir uma revista própria?
Sem dúvidas, esse tempo qe trabalhei com o Carlos Lorch na Surfer foi bem interessante. Deu uma boa base para mim. Em várias épocas diferentes da vida já pensei em fazer minha própria revista sim, mas essa idéia nunca saiu da cabeça, ou do papel. Quem sabe no futuro, com essa tecnologia virtual pode até ser mesmo! Mas não seria só de surf não, acho que minhas fotografia e minhas idéias vão um pouco além disso, seria uma coisa bem variada.
Tem exclusividade com algum meio de comunicação?
Nunca fui exclusivo de nenhum veículo, apesar de tentar ser bem leal aos meios de comunicação que colaboro. Sendo um freelancer tenho que espalhar o material que consigo da melhor maneira.

* SEBASTIAN ROJAS
Quem são os fotógrafos que fazem a tua cabeca?
No surf tem vários, poderia mencionar o nome do Sebastian Rojas, que é inspiração para o maioria. Tem o Pedro Tojal que tá vindo com tudo. Também gosto do estilo do Luiz Branco, mas existem vários outros como Ricardo Borgui, Minduim, Clemente, Cachorrão, Camarão, Beto Pas Leme Rick Werneck, Fred Pomp…fica até chato falar nomes porque acabo esquecendo de alguém.
Você também produziu alguns videos de surf, ainda rola uma edição?
Estou meio devagar na edição de vídeo, gosto de editar os vídeos da família e de coisas que me interessam. Porém, acabei de investir numa camera nova, e esse ano vou filmar bastante. Tenho um programa semanal no Canal Woohoo, então não posso ficar muito tempo sem captar imagens de vídeo. Também estou terminando um documentário sobre ondas grandes com o Danilo Couto e Rodrigo Resende.
E dentro dágua, qual a sensação de ficar no inside esperando os caras droparem as morras? Entra em qualquer mar pra fazer uma boa foto?
Outro dia estava pensando nisso! Depois do surfista, o fotógrafo que está dentro dágua é a coisa mais próxima da ação. Então, quando tem altas ondas e altos tubos, nosso visual é sem dúvidas previlegiado. No início, tentava entrar em qualquer mar, tipo Waimea com 20 pés, Pipe com 10-12 pés. Hoje em dia tento ser mais racional, mas ainda entro nuns mares mais pesados sim.
Qual a técnica para fazer fotos dentro dágua, posicionamento e tudo mais?
Tudo depende das condições do mar e do equipamento disponível no momento. Se você optar por usar uma grande angular, vai ter que estar mais próximo da ação, o que torna as coisas mais perigosas, mas em compensação o resultado final é sensacional. Outra opção é ficar mais de longe com uma tele, ou uma semi tele, o que é mais fácil, mas um pouco mais difícil acertar o foco.
Nos anos 90 você se mandou pro Hawaii, como foi essa mudança e viver no sonho de todo surfista?
Cheguei no Hawaii achando que iria virar um surfista Big Rider famoso, mas rapidinho percebi que o buraco é mais embaixo. Acabei é virando “peão de obra” ahahahha. Fiquei um bom tempo “Home Less” (sem casa) e desempregado. Tudo era muito caro, com poucas oportunidades de se dar bem e demorou um tempo até que eu engrenasse no sistema capitalista americano. No início vivi duas realidades ao mesmo tempo, o sonho de estar no paraíso do surf, mas ao mesmo tempo passando perrengues que nunca imaginava. Cheguei apensar em desistir muitas vezes, mas consegui superar várias situações diferentes, e graças a Deus consegui ficar lá até hoje.
Além desses perrengues, como foi em relação a lingua, grana e moradia?
No início tudo é mais difícil, não conseguia nenhum trabalho. Eu não tinha como assumir um aluguel, então a opção mais óbvia foi comprar um carro barato e morar dentro. Um dia o carro quebrou e foi rebocado com todas minhas coisas dentro, não sabia o que fazer. Hoje dou boas risadas, mas na hora que rola fica meio estranho. É nessas horas que lembrava daquele velho ditado: “O que não mata, fortalece”, certo?

Hawaii
E hoje, rola um entrosamento com os locais? Qual é sua relação com os hawaianos? Como é o surf com os black trunks?
Os caras não dão mole pra ninguém de fora! É muito difícil realmente fazer uma amizade sólida, até mesmo pela diferença entre culturas. Mas, depois de tanto tempo eles até se acostumam com você ali, e se você não for muito marrento e for educado com os caras, não vão te incomodar “muito”. Surfo todos os dias em V-Land, e às vezes consigo até surfar umas ondas da série, mas só quando sobra ahahahahah….
Como é seu dia-dia no Hawaii?
Tenho um trabalho fixo na área rural, onde faço de tudo um pouco. Ás vezes atuo desde mecânico, eletricista, encanador e até ppinto carros. Entro no trampo po volta das 7:30 da manhã e saio as 3:30hs. Depois disso viro surfista ou fotógrafo, onde tento fazer alguma atividade relacionada como o oceano ou com o surf. Faço fotos, stand up ou natação. Depois vou pra casa ajudar a fazer o jantar, dever de casa com meu filho. È uma vida meio monótona para alguns, mas estou adaptado a essa realidade bem tranquila.
Suas fotos estão espalhadas por todo o canto onde tem alguma materia sobre surf. Ainda rola uma emoção ao ver uma capa de revista com tua foto?
Existe tanta competição no meio do surf que quando vejo uma foto minha publicada numa revista, principalmente numa capa ou página dupla é como se eu tivesse vencido um concurso de fotografia. Principalmente no meu caso, que apesar de estar no Hawaii, faço isso como uma atividade “Part Time”, então é claro que existe aquela emoção.

Como você vê a fotografia no surf? Uma boa foto requer várias técnicas, tais como luz, posicionamento, perpectivas, composição. Você acha que os profissionais de fotografia no surf se preocupam com as técnicas, ou basta clicar uma boa manobra na hora certa e a foto tá pronta?
Não posso falar muito pelos outros fotógrafos, mas eu acho que existem muitos caras com bastante talento que devem estar fazendo o melhor possíve, e isso com certeza inclui muita técnica. Mas eu particularmente, acho que o segredo de uma boa foto não apenas de surf, mas em todos gêneros, é quando você consegue transmitir algum sentimento através da imagem, são várias coisas que podem fazer com que isso aconteça. Por isso alé, de toda técnica, o “feeling” do fotógrafo influencia muito no resultado final.
A fotografia também é uma forma de arte e expressão. Você tem essa pegada artística?
A cada dia que passa, vejo que tenho que abordar minhas fotos como arte. Fazer quadros, colocar em galerias e cobrar mais caro por isso. Realmente ás vezes pode ser que saia algo bom, mas se tiver como remeditar a foto, elaborar uma técnica e executá-la. Teoricamente, as chances de uma boa foto serão maiores. Eu sempre achei que 50% da fotografia é o momento e enquadramento. Se clicar no momento certo, com um bom enquadramento ou uma boa composição de quadro, você provavelmente terá uma boa foto. Os outros 50% ficam por conta da técnica e equipamento, se tiver um bom equipamento e souber usá-lo adequadamente, também terá boas chances de se sair bem.
E rola uma exposição das tuas fotos?
Em relação a expor minhas obras, acho que em breve deve rolar umas exposições. O problema é que eu fico tão ocupado captando imagens que esqueço de expor o material e trabalhar no marketing nesse processo todo, mas aos pouco isso vai mudando.
Qual foi o mar mais casca-grossa que vc fotografou?
No ínicio da minha carreira teve um dia em Waimea, que passei um bom sufoco. Quase tomei uma série de mais de 20 pés na cabeça. Foi no mesmo dia que o Todd Shester morreu no outside de Marijuanas. A onda que pegou ele entrou varrendo tudo em Waimea, foi o maior perrengue passa por essa série. Mais recentemente, rolou um mar em Jaws, aquele que o Danilo Couto pegou aquela bomba pra direita, nessa hora eu tive que ficar boiando num canal por alguns minutos, com barcos quase me tropelando e escapei de uma série de 60 pés, coisa de louco!
Quando vc está trampando, e o mar tá alucinante, tem vontade largar tudo e cair na água? Rola uma ansiedade em mares clássicos?
Ás vezes sim! Por isso é bom não estar com o rabo preso com ninguém. Ao mesmo tempo, tento ter uma postura bem profissional, seu tiver com algum contrato e recebendo uma diária para estar ali na praia filmando ou fotografando, esqueço o surf numa boa.

* LEMOS EM BALI
Qual a barca mais irada que já fez?
Foram várias. Mas a barca para Mentawaii de traineira com a equipe do Surf Adventures foibem intensa. Depois desbravado Mavericks com alguns Big Riders brasileiros foram umas das mais legais também.
Já caiu em algum roubada por conta do seu trabalho?
Com certeza, essa trip da traineira em Mentawaii foi clássica. Eu dormia de Wetsuit, pois toda noite chovia muito e o barco não tinha teto, era ao ar livre, e pra piorar, caíam raios ao lado do barco. Depois de alguns dias, o motor da embarcação quebrou e ficamos à deriva nas Mentawaiis, fomos rebocados de volta para Katiet e ficamos num lugar muito exótico junto ao povo local…muito intensa essa viagem, acabamos voltando de Ferryboat.

* KELLY SLATER
Tem alguns surfistas que vc se amarra mais em clicar? Que quando o cara cai na agua vc fica amarradão?
Sem dúvidas o Kelly Slater e o Jamie Obrien são os meus favoritos. Os caras são exepcionais. Fotografar eles, principalmente se estiverem surfando em Pipeline clássico, aí da aquela instigada!
Você é ligado em arte? Se amarra em quadros?
Eu gostaria muito de pintar quadros. Acho que um dia ainda vou entrar fundo nessa. Nunca pintei um quadro, mas gosto muuuuito. Foi por isso que o nome da minha marca é Lemos Images, e não Lemos Photography, pois além de fotos e vídeos quero um dia estar pintando uns quadros. Eu literalmente cresci vendo o Wanderley Carbone pintando, o cara é exepcional. Sou muito fã do trabalho dele. Se vocês não conhecem, dá um google search nele, vão se amarra!
Como você vê o quadro que esta pintando de sua vida até aqui?
Se eu fosse comparar a minha vida a um quadro, acho que comecei com uns traços meio inseguros e meio sem sentido. Mas agora estou tentando dar uma forma melhor aos rabiscos, e colocar umas cores mais vivas. Mas pra mim, o mais importante seria aquela camada depois da pintura, para impermeabilizar e garantir que vai durar para o resto da vida. Estou preocupado com a salvação da minha alma, por isso coloco minh vida na mão de Jesus Cristo, meu salvador, que nos garante a vida eterna.
Uma frase/mesagem positiva que você diz a si mesmo e gostaria de compartilhar com a galéra:
Gosto muito dos ensinamentos da Bíblia e as coisas que Jesus Cristo fez e faou. Hoje em dia, com tantas aflições e tribulações dessa vida, acho que seria excelente se as pessoas pudessem se inspirar um pouco mais em Jesus. Olha só o que Ele disse em Mateus 11:28:
“Venha a mim, todos os que estao cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.”
Acho que a mensagem principal da vida é isso mesmo, temos que confiar nossas vidas totalmente em Jesus, tem muita gente por aí sofrendo, e nessa passagem, o interessante é que Ele fala que nos dará alívio para as nossas almas, algo que nenhuma outra coisa ou ninguém pode fazer por nós.
O que te deixa de cabeça feita?
Quando Deus criou o ser humano, fez isso para que tivéssemos um relacionamento com Ele. Então, quando conseguimos ter um relacionamento verdadeiro com Deus, é o melhor sentimento da vida, que mais nos completa, uma verdadeir sensação de preenchimento. Porém, quando preenchemos com outras coisas, acabamos nos distanciando de Deus, e nunca ficamos de cabeça feita, é como se nós estivéssemos morrendo de ede e bebemos água do mar, a sede só aumentará!
A arte de Bruno Lemos é:
É fruto de muita dedicação, muito suor e muito amor…alooooha!
Acesse o site: www.lemosimages.com
E o blog: http://www.blemos.blogspot.com/
CONFIRA OS CLICKS DE BRUNO LEMOS
cabecaFeita.com | Surf Art
obrigado galera do cabeca feita pela oportunidade…
parabens pelo site ..
alto nivel!!
alooha
Fala Bruno. Vim dar uma conferida na matéria e deixar um abraço. Bom também que conheci o site !Valeu e até a próxima ! Beto Vaz.
IRADO!!!!!!! Achei a entrevista muito legal!!!!!! Parabens a todos !!!!!!!
Parabéns bruno,o seu trabalho nos remete ao olhar do paraiso.poder nos passar imagens tão belas só acreditar que deus existe e está ao nosso lado. aloha.
po bruno que irada essa sua materia,nao conhecia o site e muito legal.po esse cara merece tudo que consiquil pois e um quereiro,que voce continue assim brilhando cada vez mais um abraço meu e da minha mãe que sempre le preparava um rago .abraços da betinha e do henrique.fica com deus.
Curti muito esta matéria, da pra ter uma idéia muito boa do que é ser um fotógrafo de surf no Hawaii. Parabens Bari pela entrevista e Bruno pela simpatia. Aloha!
Bruno bom dia,sou um amante do surf e no momento estou batalhando para montar meu proprio negocio uma surf wear e todos os dias peço a Deus para me iluminar, gostei muito da materia, fiquei amarradão, voçê é um grande exemplo de vida e isso só veio a provar que 100 Deus nós não chegamos a lugar nenhum, um grande abraço
SE DEUS É POR NÓS QUE SERÁ CONTRA NÓS. parabéns,ALOHA
Aloha Bruno e Bari, show a matéria. Caprichado Bari… ficou muito bom, espero um dia a gente poder trocar uma idéia Bruno. Sou um admirador do seu trabalho. Parabéns!
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